Como duas jovens criaram uma marca totalmente autoral assumindo todo o processo criativo

Entre processo, forma e função, a Lourie se consolida como uma marca independente no cenário brasileiro.

A discussão sobre gênero na moda autoral brasileira tem ganhado novos contornos nos últimos anos, especialmente entre marcas que optam por construir uma linguagem própria antes de assumir discursos prontos. No caso da Lourie, essa abordagem se dá de forma mais sutil e consistente.

Fundada em 2021 por Michaela Guizardi e Stephanie Sahyoun, a marca desenvolve suas coleções a partir do corpo, da construção e da função da roupa, sem partir da premissa de que todas as peças precisam se encaixar em uma classificação unissex. Desde o início, a Lourie se apoia em silhuetas oversized, alfaiataria desconstruída e volumes bem definidos, criando peças que dialogam com diferentes corpos e formas de vestir. Algumas delas atravessam gêneros com naturalidade, enquanto outras preservam direcionamentos mais específicos.

A ausência de uma divisão rígida não significa neutralidade total, mas liberdade de interpretação. “Nosso ponto de partida nunca foi decidir se uma peça é masculina ou feminina. A criação começa na forma, no volume, no tecido e em como isso se comporta no corpo”, afirma Michaela Guizardi. “Algumas peças funcionam para diferentes corpos e expressões, outras não. E isso faz parte da construção de uma marca autoral que não força um discurso.” 

Essa postura é reflexo de um processo criativo inteiramente conduzido pelas fundadoras. Ainda muito jovens quando criaram a Lourie, Michaela e Stephanie optaram por assumir todas as etapas da marca, da modelagem à escolha de materiais, da pesquisa estética à gestão do negócio. Essa imersão integral garante coerência entre conceito e produto final, além de permitir decisões mais precisas sobre o que faz sentido ou não dentro da identidade da marca.

A complementaridade entre as duas se traduz em uma linguagem consistente, onde técnica e sensibilidade caminham juntas. A modelagem é desenvolvida internamente, com atenção rigorosa à estrutura e ao caimento, o que possibilita explorar volumes arquitetônicos, ombros marcados e referências ao workwear sem perder funcionalidade.

O resultado são peças que sustentam presença e intenção, independentemente de quem as veste. “Existe uma mudança clara no comportamento de consumo. As pessoas estão mais atentas à qualidade, à durabilidade e à relação da roupa com a vida real”, observa Stephanie Sahyoun. “Nosso foco é criar peças que atravessem o tempo e façam sentido no cotidiano. Quando uma peça funciona para diferentes corpos, isso acontece de forma orgânica, não como regra.”

@_Lourie_

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