Artista francesa radicada no Rio de Janeiro assina obras no Copacabana Palace, Grande Hotel Termas e Casa Farm, com inspiração na fauna e na flora brasileiras.

Nascida na França, próxima a Le Puy-en-Velay, Dominique Jardy vive no Brasil desde 1985. Formada pela tradicional escola Van der Kelen, em Bruxelas, onde recebeu a Medalha de Ouro, a artista construiu uma carreira internacional, atendendo uma clientela que inclui nomes como Rudolf Nureyev, Marie Hélène de Rothschild e o estilista japonês Jun Ashida.
Ao chegar ao Brasil, Dominique percorreu cidades históricas de Minas Gerais e do sul da Bahia, pintando cenas a guache. Inicialmente, seu trabalho dialogava com referências europeias, como mármores, arabescos e padrões florais. Aos poucos, no entanto, a exuberância da flora e da fauna brasileiras passou a ocupar um lugar central em sua obra.

A partir do final dos anos 1980, a artista incorporou definitivamente temas tropicais às suas pinturas, utilizando pigmentos naturais e tintas à base d’água, seguindo a tradição italiana da pintura mural. Seu primeiro grande trabalho tropical foi realizado em 1990, nos murais da Fazenda São Lourenço, no Rio de Janeiro — marco que consolidou plantas, animais e paisagens como elementos permanentes de sua linguagem artística.
Grande parte da inspiração de Dominique Jardy vem da observação direta da natureza. O Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, tornou-se um de seus principais referenciais, percorrido inúmeras vezes em caminhadas e trilhas. A artista também dialoga com a tradição dos viajantes do século XIX, como Debret e Rugendas, reinterpretando paisagens, panoramas e fisionomias vegetais sob uma perspectiva contemporânea.
Mais do que representar a natureza, sua obra propõe uma reflexão sobre a relação entre o ser humano e o meio ambiente. A presença constante de animais em suas pinturas funciona como um convite ao deslocamento do olhar antropocêntrico, sugerindo novas formas de convivência entre cultura, arquitetura e paisagem natural.

Com 216 páginas, o livro apresenta um olhar aprofundado sobre a trajetória e a produção de Dominique Jardy, destacando trabalhos realizados em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Ceará. Entre os espaços retratados estão locais emblemáticos como o Copacabana Palace – A Belmond Hotel, o Grande Hotel Termas de Araxá, a Casa Farm e diversas residências particulares.
Para o lançamento em Porto Alegre, a arquiteta Lisiara Camargo Simon assina o projeto de ambientação do espaço, criando um cenário inspirado na estética e na atmosfera das obras da artista. O ambiente contará com aplicação de papel de parede, almofadas e quadros em fine art — impressos em tecido com reproduções das pinturas de Dominique Jardy — além de um tecido cenográfico que funcionará como divisória do espaço, compondo uma instalação que dialoga diretamente com o universo visual apresentado no livro.
As plantas e os animais são protagonistas absolutos da obra da artista. Suas pinturas criam diálogos diretos com a arquitetura e os ambientes internos, fazendo com que a natureza “invada” os espaços construídos. Folhagens tropicais, flores exuberantes e animais em movimento compõem cenários que parecem extrapolar os limites das paredes.

Segundo a historiadora Lorelai Kury, a sensação provocada pelos trabalhos de Dominique Jardy é a de que “a vida transborda”. Em suas pinturas, bichos e plantas interagem com o observador, criando paisagens imaginárias que convidam à reconexão com a natureza em meio aos espaços urbanizados.
SERVIÇO
Lançamento do livro Mata Adentro – Natureza e Arte, de Dominique Jardy
Quando: 24 de março (terça-feira), 19h às 22h
Onde: Gobbi Novelle (Rua Quintino Bocaiúva, 890 – Floresta, Porto Alegre)

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