Por Pedro Signorelli
No universo jurídico, excelência técnica sempre foi um valor inegociável. Escritórios de advocacia são treinados para analisar detalhes, antecipar riscos e construir estratégias sólidas no longo prazo. O paradoxo é que, apesar dessa vocação para a análise cuidadosa, muitas bancas ainda negligenciam um dos rituais mais simples (e mais transformadores) da gestão moderna: a revisão semanal.
Quando falo em revisão semanal, não me refiro a reuniões intermináveis para repassar tarefas ou apagar incêndios do dia a dia. Falo de um momento estruturado para olhar objetivos, avaliar resultados e ajustar rotas enquanto ainda há tempo de corrigir o curso. Em escritórios de advocacia, onde o tempo é escasso, as demandas são urgentes e a pressão por desempenho é constante, esse ritual costuma ser visto como dispensável. Na prática, é exatamente o contrário.
A ausência de revisão frequente cria um problema silencioso: decisões estratégicas são tomadas apenas quando o dano já está feito. Processos se acumulam, equipes se sobrecarregam, sócios se surpreendem com resultados abaixo do esperado e o discurso padrão vira “o mercado está difícil”, “o cliente mudou” ou “o time não entregou”. Poucas vezes se questiona o sistema que permitiu que esses desvios passassem despercebidos por semanas ou meses.
A revisão semanal funciona como um mecanismo de consciência organizacional. Ela obriga o escritório a responder, de forma recorrente, a perguntas simples e incômodas: estamos avançando nos objetivos estratégicos definidos? O que realmente progrediu nesta semana? Onde estamos travados? O que precisa ser ajustado agora, e não no próximo trimestre? Esse tipo de pergunta é especialmente poderoso em sociedades de advogados, onde decisões impactam diretamente reputação, caixa e relacionamento com clientes.
Outro ponto crítico no ambiente jurídico é o desalinhamento entre sócios e equipes. Muitas vezes, a estratégia está clara na cabeça da liderança, mas se perde na execução diária. A revisão semanal cria um espaço de tradução contínua entre estratégia e operação. Ela conecta metas de crescimento, posicionamento ou eficiência com as ações concretas que estão acontecendo nos núcleos, áreas e carteiras de clientes.
Quando combinada a um sistema de gestão por objetivos e resultados, essa prática ganha ainda mais força. A revisão deixa de ser uma conversa genérica sobre esforço e passa a ser uma análise objetiva de impacto. Não se trata de quem trabalhou mais horas, mas de quem avançou mais em relação ao que foi priorizado. Para um escritório de advocacia, essa mudança de lógica é profunda: sai o culto à ocupação constante e entra a gestão orientada a resultados relevantes.
Existe também um ganho cultural importante. A revisão semanal bem conduzida reduz o medo do erro. Em vez de problemas serem escondidos até virarem crises, eles aparecem cedo, quando ainda são gerenciáveis. Isso fortalece a confiança entre sócios, líderes e equipes. Resultados abaixo do esperado deixam de ser tratados como falhas individuais e passam a ser encarados como sinais de que algo no modelo, na estratégia ou na alocação de esforços precisa ser ajustado.
Muitos escritórios acreditam que não têm maturidade ou tempo para esse tipo de ritual. A experiência mostra o oposto. Quanto mais complexo o ambiente, maior a necessidade de ciclos curtos de reflexão. A revisão semanal não adiciona trabalho; ela elimina desperdício. Evita retrabalho, reduz ruído de comunicação e melhora a qualidade das decisões.
Não há magia no sentido místico da palavra. A “magia” da revisão semanal está na consistência. Em parar, toda semana, para olhar a realidade como ela é, e não como gostaríamos que fosse. Em criar um espaço regular onde estratégia deixa de ser um documento e passa a ser uma prática viva.
Para escritórios de advocacia que buscam crescimento sustentável, fortalecimento da sociedade e maior previsibilidade de resultados, a revisão semanal não é um luxo gerencial. É parte do caminho para o sucesso. Ignorá-la é apostar que tudo se ajustará sozinho. Adotá-la é assumir, com disciplina, o controle do próprio futuro.
Pedro Signorelli é um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/

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