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Antália, a cidade que o rei mandou fundar em busca do paraíso

Do porto helenístico que abrigou São Paulo ao destino mediterrâneo que receberá a COP31 em novembro de 2026, uma cidade construída por camadas de história e mar.

A lenda diz que o rei Átalo II de Pérgamo enviou exploradores pelo mundo com uma missão: encontrar o paraíso na Terra. Eles voltaram com a resposta. Era uma baía no sul da Anatólia, onde as Montanhas Taurus descem em direção ao Mediterrâneo e o céu tem uma qualidade de luz que parece irreal. Ali, em 159 antes de Cristo, o rei fundou Attaleia. O nome evoluiu, os séculos passaram, o paraíso ficou.

Hoje, Antália é a cidade mais visitada da Turquia fora de Istambul e, em novembro de 2026, estará no centro das atenções internacionais ao receber a COP31.

Duas mil e oitocentos anos de história em camadas

Poucos destinos turísticos concentram tantas civilizações num raio tão pequeno. Depois de Átalo, vieram os romanos. Em 133 antes de Cristo, o último rei de Pérgamo deixou o reino para Roma em testamento. O general Pompeu usou o porto como base para limpar o Mediterrâneo de piratas. Em 130 depois de Cristo, o imperador Adriano visitou a cidade e ganhou uma porta triunfal em seu nome — a Porta de Adriano, de três arcos, permanece de pé até hoje e marca a entrada do Kaleici, o bairro histórico.

São Paulo de Tarso passou por Antália durante suas viagens missionárias. A rota que ele percorreu do norte da Anatólia até o porto é hoje um circuito de caminhada mapeado e disponível para visitação.

No período bizantino, a cidade tornou-se sede episcopal e ponto de embarque de tropas durante as Cruzadas. Em 1207, o sultão seljúcida Kaykhusraw I conquistou o porto, abrindo ao mundo turco o acesso ao Mediterrâneo. O minarete Yivli, construído por volta de 1230, ergueu-se sobre os alicerces de uma igreja bizantina e permanece como símbolo do período. Os otomanos chegaram no século XIV e incorporaram definitivamente a cidade ao império no século XV.

O Kaleici guarda tudo isso. Mansões otomanas ao lado de muralhas romanas. Uma mesquita que já foi templo romano, depois igreja bizantina, depois mesquita seljúcida, depois igreja das Cruzadas e depois mesquita otomana. A cidade como palimpsesto.

O que ver além do centro histórico

Nos arredores de Antália, a região concentra alguns dos sítios arqueológicos mais bem preservados do Mediterrâneo. Aspendos tem um teatro romano do século II com acústica tão perfeita que ainda recebe concertos. Side combina templos e ruínas à beira-mar. Perge, Phaselis e Olympos completam um circuito que atravessa os períodos helenístico, romano e bizantino com presença física impressionante.

As cachoeiras de Düden estão a poucos minutos do centro urbano. O Caminho da Lícia, uma das grandes trilhas de longa distância do mundo, atravessa a região entre montanhas, florestas e praias desertas.

O que comer?

A gastronomia local reflete a mesma lógica de encontros que a história da cidade. O piyaz de Antália é a preparação mais característica: feijão servido com molho de tahine, ovo, azeitonas e frequentemente acompanhado por carnes grelhadas. Frutas cítricas, romã, pescados e frutos do mar mediterrâneos chegam à mesa com a simplicidade de quem tem bons ingredientes e sabe que basta não estragar.

Uma cidade que tem dois mil e oitocentos anos de história e ainda assim parece recém-descoberta. Talvez porque o rei acertou no endereço.

Para chegar lá: Turkish Airlines