Estilo/Moda
Conheça a coleção que surgiu da união da arte e da moda entre Fernanda Yamamoto e Carla Chaim
Fernanda Yamamoto e Carla Chaim passaram dois anos transformando a lógica do papel dobrado em peças que se movem com o corpo. O resultado questiona onde termina a arte e começa a moda.
Há colaborações entre artistas e marcas de moda em que a obra aparece como estampa, como citação, como referência visual. O processo criativo segue separado. A nova edição do projeto Moda de Artista, da estilista Fernanda Yamamoto com a artista Carla Chaim, não funciona assim.

Dois anos de cocriação. Uma investigação real sobre como as dobraduras de papel que definem o trabalho de Carla poderiam ser recriadas em tecido, em modelagem, em construção têxtil. O resultado é uma minicoleção de quatro modelos — blusa, vestido, camisa e casaco — apresentados em duas variantes cada, com um jogo constante entre preto e branco que reflete a própria lógica das dobras: superfície, sombra, contraste.
Para isso, foram desenvolvidos tecidos dublados exclusivos, com uma face branca e outra preta. Em algumas peças o preto aparece por fora, com o branco revelado no interior. Em outras, o inverso. As dobraduras ganham profundidade com esse contraste, como nos trabalhos originais de Carla, onde as marcas do processo importam tanto quanto a forma final.

A coleção também trabalha com pesos diferentes. Materiais mais estruturados sustentam as dobras, remetem à textura do papel. A organza de seda traz leveza e transparência — e deixa o corpo visível por baixo, porque aqui o corpo é suporte, não apenas o que está dentro da roupa.
A blusa tem uma aba que ultrapassa a silhueta e se expande para o espaço, como uma dobradura que não terminou. O casaco pode ser usado dos dois lados: no avesso, aparecem as marcações da modelagem, o que normalmente fica escondido. O vestido equilibra volumes acetinados com organza, firmeza com delicadeza.

O projeto Moda de Artista tem curadoria do artista Nino Cais. Essa é a terceira edição: a primeira foi com o próprio Nino Cais, a segunda com Lia Chaia. Com Carla Chaim, a proposta avança para um território em que arte e moda compartilham o processo inteiro, não apenas o resultado.

Ao final, a pergunta que a coleção deixa não tem resposta fácil: onde termina o trabalho da artista e começa o da estilista.



.jpg)






