Estilo/Moda
Jaden Smith levou o vermelho Louboutin para as ruínas de um reino imaginário
Na segunda coleção masculina como diretor criativo, o ator e músico americano constrói um universo próprio. O mercado divide opiniões.
Paris recebeu, na semana passada, algo que não era exatamente um desfile. Era uma arqueologia ficcional. Jaden Smith transformou o Palais Brongniart numa civilização perdida, toda vermelha, com monólitos circulares, pés colossais na entrada inspirados no Colosso de Rodes e nichos de pedra exibindo sapatos como artefatos de um povo que nunca existiu.
A premissa era ambiciosa. E funcionou como cenografia.
Para a Maison Christian Louboutin, a aposta em Jaden Smith como diretor criativo masculino segue uma lógica clara: rejuvenescer a marca e ampliar seu alcance geracional. Smith pensou em quatro gerações de homens — o que cada uma faz, o que valoriza, o que carrega. Nos produtos, essa intenção aparece: brogues envernizados com sola de cristais para o patriarch elegante, tênis com formas infantis e grafismos espalhados pelos cadarços para os mais jovens.
O resultado divide.

A coleção de estreia gerou reações polarizadas: parte da crítica elogiou a imaginação por trás do projeto, outra parte questionou se uma direção criativa conduzida por uma celebridade pertence ao universo da moda de luxo tradicional. Na segunda coleção, a tensão continua presente. Smith é fluente na construção de mundos. A dúvida que persiste é se essa fluência se traduz em produtos que resistem ao tempo ou apenas ao momento.
O que a SS27 entrega com mais consistência são os sapatos de alfaiataria reinterpretados: derbies com gradientes de vermelho ao preto brilhando como carroceria de esportivo, mocassins pretos com barras de prata nas solas que remetem a gravatas de metal. São peças com ponto de vista. Não apenas com conceito.

Onde a coleção perde força é na densidade do discurso. O release fala em "reino vermelho", "escritas antigas indecifráveis" e "ciclo perpétuo de criação e renovação". Quando o cenário precisa de tanto texto para se sustentar, algo na própria roupa pode estar pedindo mais trabalho.
Smith tem algo raro no mundo da moda: curiosidade genuína. Uma de suas primeiras movimentações ao assumir o cargo foi uma viagem pelas fábricas de calçados masculinos na Campânia, Itália, onde entendeu o ofício por dentro. Esse repertório aparece nos acabamentos. A questão agora é se o universo que ele constrói vai ganhar profundidade nas próximas temporadas ou permanecer como instalação de luxo.
A coleção chega às lojas em 28 de outubro de 2026.


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