Estilo/Beleza
Viajar para operar, a nova tendência do turismo
Brasileiras que vivem no exterior voltam ao Brasil para operar. Outras cruzam o mundo atrás do cirurgião certo. O turismo médico estético ganhou categoria própria e hotel à altura
O Brasil realiza mais de 2 milhões de cirurgias plásticas por ano. É o segundo país do mundo em volume, segundo a ISAPS, atrás apenas dos Estados Unidos. Desse total, 7% são feitas em pacientes estrangeiras. São 140 mil procedimentos em pessoas que viajaram para operar aqui.
O fluxo é duplo. Se o Brasil atrai estrangeiros, brasileiras que moram fora também fazem o caminho de volta. Mulheres que vivem nos Estados Unidos, em Portugal, no Reino Unido, no Canadá, nos Emirados Árabes ou na Austrália planejam a viagem com meses de antecedência, escolhem o cirurgião por videochamada, enviam exames com antecedência e organizam a hospedagem para a recuperação. O Brasil é destino de confiança.
A motivação raramente é só preço. O relatório Patients Beyond Borders aponta que qualidade do atendimento, experiência da equipe e previsibilidade do cuidado pesam tanto quanto o custo. Uma brasileira em Londres sabe que vai operar em São Paulo acompanhada de quem conhece, num sistema que já conhece.
O que mudou nos últimos anos é a infraestrutura ao redor da cirurgia. Hotéis próximos a hospitais privados passaram a oferecer quartos adaptados para pós-operatório, cardápios supervisionados por nutricionistas e suporte para acompanhantes. São Paulo vai ter, em 2027, o primeiro hotel de luxo concebido para turismo de saúde: um projeto do Grupo Emiliano no Parque Global, zona sul da cidade, integrado ao Hospital Israelita Albert Einstein. A referência é Dubai, Miami e Singapura, cidades que já normalizaram a combinação entre hotelaria premium e medicina de ponta.
Em São Paulo, 12% dos turistas que chegam à cidade buscam algum tipo de atendimento médico, segundo SP Negócios. O setor movimenta cerca de R$ 62,9 bilhões por ano no Brasil.
Para quem opera longe de casa, o planejamento começa antes mesmo de reservar a passagem. Consultas por vídeo, envio de exames, definição do tempo de permanência para o acompanhamento inicial. Alta hospitalar e liberação para voar são decisões diferentes, e a maioria dos cirurgiões recomenda pelo menos uma semana no destino após o procedimento. Voos longos logo depois de uma operação de abdômen ou tórax aumentam o risco de trombose.
O que o mercado chama de luxury recovery deixou de ser exceção para virar parte do produto. A cirurgia é a razão da viagem, mas o hotel, o acompanhamento pós-operatório e a discrição do processo fazem parte do que se compra. Para a mulher que mora fora e valoriza privacidade, essa combinação é o ponto central.
A demanda cresce entre 15% e 25% ao ano, segundo Brain Inteligência Estratégica. O número diz menos do que a mudança de comportamento que carrega: a cirurgia plástica entrou no calendário de viagem da mulher brasileira, seja para vir ao Brasil ou para sair dele atrás do melhor resultado.








