Viagem/Nacional

Viajar sozinha virou programa e o Brasil finalmente prestou atenção nisso

O Ministério do Turismo lançou um guia inédito para mulheres que viajam desacompanhadas, com orientações que vão do planejamento ao comportamento dos hotéis e restaurantes.

Quatro em cada dez brasileiras já fizeram pelo menos uma viagem sozinhas. Entre as que já viajaram sozinhas, 35,9% optaram por destinos dentro do Brasil — e o número tende a crescer. O desejo existe. O que faltava era estrutura e informação para transformá-lo em realidade com mais segurança.

Em março de 2026, o Ministério do Turismo lançou o *Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas* — uma publicação de 72 páginas elaborada a partir de pesquisa realizada entre agosto e setembro de 2025, com 2.712 mulheres de todas as regiões do país. O material reúne dados, análises e orientações práticas para tornar o turismo solo feminino mais seguro, autônomo e inclusivo.

O ponto de partida foi um dado preocupante: 60% das mulheres brasileiras já deixaram de viajar por preocupações relacionadas à segurança. Ao mesmo tempo, 70% relataram que a experiência de viajar só traz plenitude turística — a liberdade de definir o próprio roteiro, sem abrir mão de nada para acompanhar o ritmo de outra pessoa.

O guia não se dirige apenas às viajantes. Foi criado para orientar também hotéis, bares, restaurantes e serviços turísticos sobre práticas de acolhimento e proteção às viajantes. Um exemplo prático: o guia orienta que, quando uma mulher viaja sozinha, o hotel a coloque em um quarto próximo ao elevador, em vez de no fim do corredor, porque, se acontecer alguma coisa, ela está mais perto de ajuda ou resgate. São detalhes que fazem diferença real e que raramente aparecem em políticas de hospedagem.

O perfil de quem viaja sozinha também surpreende. A faixa etária predominante é de 35 a 44 anos, seguida pelas faixas de 45 a 54 anos e 25 a 34 anos. A maioria possui renda entre três e dez salários mínimos e 67,7% não têm filhos. Embora o lazer lidere as motivações, a busca por independência e liberdade é central para 65,1% das entrevistadas. Na escolha do destino, segurança e liberdade de escolha superam fatores como preço e conforto.

A publicação aborda planejamento de roteiro, escolha de hospedagem, análise de ambientes e prevenção de riscos. É, ao mesmo tempo, um manual prático e um reconhecimento de que a mulher tem direito de circular com liberdade — no Brasil e no mundo.

O guia está disponível gratuitamente no site do Ministério do Turismo:

https://www.gov.br/turismo/pt-br/assuntos/noticias/ministerio-do-turismo-lanca-guia-inedito-para-mulheres-que-viajam-sozinhas-e-revela-o-perfil-das-viajantes-brasileiras/mulheresviajamsozinhas_digital_02.pdf