Estilo/Comportamento
A tal da Hospitalidade
Quando recebi o convite de Simone Pontes para colaborar com a nova fase do site, senti um frio na barriga. Caramba, em tempos em que se fala mais do que se ouve, em que se posta mais do que se vive, o que abordar? E, depois, outra indagação: o que não abordar? Juntando os pedacinhos que formam o patchwork da minha vida, resolvi falar sobre algo que tem sido muito verbalizado, mas, ao mesmo tempo, pouco discutido: a tal da hospitalidade. Escrever sobre hospitalidade, para mim, começa com um gesto simples: gostar de receber. E, para nós, brasileiros, esse gosto vem de fábrica — é a nossa forma de existir, sempre com braços abertos e um sorriso no rosto.
É assim que estreio esta coluna no Pluminews: com a porta aberta, um café ou vinho, dependendo do seu fuso, e uma pergunta: o que te faz sentir em casa?
Talvez não seja coincidência que o Brasil esteja, neste momento, no centro do desejo global. Em 2025, o país recebeu 9 milhões de turistas internacionais, um crescimento de 45% em relação ao ano anterior. Mais do que números, o que chama atenção é o motivo. O mundo não está vindo apenas pelo destino. Está vindo pelo que sente aqui.
Em um cenário global marcado por exaustão, solidão e excesso de controle, o Brasil aparece como contraponto. Um lugar onde a vida ainda acontece sem roteiro. Onde o encontro não precisa ser agendado. E onde o abraço e o beijo no rosto fazem parte do nosso DNA. Podem chamar de vibe — e talvez seja mesmo —, porque a hospitalidade, no Brasil, não é apenas um serviço que se entrega: é um sentimento que se vive.
E talvez uma das nossas maiores forças esteja justamente no que a gente mais questiona: o tal do jeitinho brasileiro. Quando ele está no lugar certo, não tem nada a ver com burlar regra. É o jeitinho que funciona. Tem a ver com perceber, acolher. É um jogo de cintura muito nosso. A gente lê o ambiente, entende o outro e muda o gesto antes mesmo de alguém precisar pedir. Resolve sem criar peso. Aproxima sem esforço.
Quem chega sente isso rápido. O turista que vem por dez dias e decide ficar por três meses. O estrangeiro que aprende português não por obrigação, mas porque quer se conectar. O visitante percebe que não estava só viajando — estava procurando pertencer.
Ao longo desta coluna, quero explorar essa hospitalidade que não cabe em manual. Como ela funciona nos mais diversos cantos do nosso país. A hospitalidade que não depende apenas de técnica, que não se limita ao turismo e se aprofunda na cultura, no comportamento e na identidade. Porque, no fim, hospitalidade não é sobre servir bem. É sobre fazer o outro sentir que já fazia parte antes mesmo de chegar.
Seja bem-vindo. A casa é nossa!








