Viagem/Internacional
Lugano, a Suíça que fala italiano
A uma hora de Milão, a cidade às margens do lago reúne grotti, vinhedos de Merlot e funiculares, e pede pelo menos três dias de roteiro
No Ticino, o único cantão suíço que tem o italiano como única língua oficial, o café se pede em italiano no balcão e o jantar acontece em adegas de pedra. Lugano é a cidade mais conhecida dessa Suíça do sul, debruçada sobre um lago cercado de montanhas. Foi em Montagnola, nas colinas logo acima, que Hermann Hesse escreveu Sidarta.
De Milão, o trem leva pouco mais de uma hora. De Zurique, onde pousam os voos diretos de São Paulo, cerca de duas. Três dias bastam para conhecer a cidade sem pressa.
O centro se percorre a pé. A Piazza della Riforma concentra os cafés, a Via Nassa corre sob arcadas cheias de lojas e o Parco Ciani desce até a água entre palmeiras.
No primeiro dia, o barco de linha leva a Gandria, vilarejo de ruelas de pedra agarrado à encosta. Ali ficam alguns dos grotti mais tradicionais, restaurantes instalados em antigas adegas que servem polenta, queijos e embutidos da região. O San Rocco e o Cantine di Gandria abrem de abril a setembro. O Morchino funciona o ano inteiro.
O segundo dia começa no funicular do Monte Brè, com o lago inteiro lá embaixo, e segue para o vinho. A uva da região é o Merlot, vinificado em tinto e também em branco. A Tenuta Castello di Morcote cultiva sete hectares em terraços sobre o lago, ao redor de um castelo do século XV. A Fattoria Moncucchetto, numa colina da própria cidade, tem adega projetada por Mario Botta. As duas recebem visitantes com reserva. À tarde, o LAC Lugano Arte e Cultura reúne exposições, concertos e teatro na orla.
No terceiro dia, outro funicular sobe o Monte San Salvatore, que os locais comparam ao Pão de Açúcar. O almoço fica para Morcote, à beira d'água. Na volta para Milão, o outlet FoxTown, em Mendrisio, está no caminho.
A mesa vai do grotto ao restaurante estrelado. O guia Michelin 2025 listou dez casas com estrela no cantão. Para dormir, o Grand Hotel Villa Castagnola e o Hotel Splendide Royal são os endereços históricos da orla. O centro tem hotéis boutique e opções mais em conta para quem usa a cidade como base.
A base serve bem ao Lago de Como. O trem direto chega à cidade de Como em 35 a 45 minutos, e dá para voltar ao hotel em Lugano a tempo do jantar.
A cidade recebe o ano todo. Primavera e outono são as estações das trilhas e das vinícolas. O verão traz os festivais ao ar livre.
Mais informações em luganoregion.com









