Estilo/Moda
Prepare-se: o maximalismo voltou.
Bordados, pedrarias e mix de estampas dominam as coleções, mas transformar excesso em elegância exige muito mais do que criatividade.
O minimalismo teve seu momento. Longo, aliás. Durante anos, moda boa era moda que cabia num único gesto: a cor neutra, o corte limpo, o volume controlado. Agora a equação mudou.
Bordados em diferentes dimensões, aplicações florais, pedrarias no dia a dia, franjas com movimento, sobreposições de texturas e estampas que não pedem licença para conviver voltaram às passarelas e às ruas com uma convicção que não parece passageira. O maximalismo não é uma reação ao minimalismo. É outra conversa sobre o que roupa pode comunicar.

As passarelas de 2026 deixaram isso claro desde cedo. Na Chanel, Matthieu Blazy abriu sua primeira temporada com bordados florais tropicais e camadas de tecido que remetiam a décadas de opulência. Na Valentino e na Marni, o excesso chegou com estrutura. Na Comme des Garçons, Rei Kawakubo levou o conceito ao limite com formas cloud-like, volumes impossíveis e silhuetas que recusam qualquer leitura convencional. Jean Paul Gaultier, Anna Sui, The Attico e Givenchy completaram uma temporada em que o consenso das capitais da moda foi unânime: o período do bege terminou.

Os números confirmam o que as roupas mostraram. O relatório anual do Pinterest registrou alta de 225% nas buscas por "luxo anos 80" e aumento de 90% em pesquisas por alfaiataria com volume. O termo "Glamoratti", que define a estética joalheira e exuberante de uma certa aristocracia de outras épocas, disparou nas plataformas. Não é tendência de nicho. É comportamento de massa.
A geração que está puxando esse movimento cresceu nos anos em que o minimalismo era o default estético das redes sociais. Precisamente por isso, a saturação chegou antes da estética perder força.

A Gen Z não quer parecer rica de forma discreta. Quer parecer mais. O moodboard é barulhento, irônico, nostálgico e composto de camadas que não têm medo de colidir.
O que separa o maximalismo com resultado do maximalismo como confusão é estrutura. Os looks mais bem executados da temporada tinham uma lógica interna clara: uma ou duas peças âncora com peso visual forte, com tudo o mais dando suporte em vez de competir. Uma estampa floral grande com uma listrada no mesmo espectro de cor funciona. Duas estampas gritando na mesma frequência, não.

Mix de prints exige planejamento. Bordado bem posicionado exige conhecimento de modelagem. Franja com bom caimento exige domínio do corte.
Quem sabe construir roupa navega bem em qualquer estética. O maximalismo apenas deixa mais exposto quem não sabe.









